Custos por funcionário elevados? O impacto da falta de CNV nos seus resultados

Você é o chefe e, pela terceira vez, o arquivo que você pediu para alterar volta “ajustado” com os mesmos erros que já foram mencionados anteriormente. O que está acontecendo com o Eduardo? 

Na reunião de time de segunda-feira, eu falei para ele que o arquivo veio errado novamente, que ele deveria corrigir. Eu fui claro, fui respeitoso e ainda agi com paciência, mesmo sabendo que aquilo o que foi pontuado, já deveria estar certo.

Eduardo tem me deixado preocupado, não é de hoje que estes erros estão acontecendo, a taxa de retrabalho dele está altíssima e isso vem impactando bastante em todo o nosso processo, mas o mais estranho é que nem sempre foi assim.

Diante da situação acima, muitas causas podem estar por trás deste efeito negativo, você consegue identificar alguma?

Uma coisa é certa, grande parte dos problemas entre empresas e seus colaboradores é a comunicação, ou a falta dela.

Análise de caso

Vamos avaliar a situação de Eduardo e seu chefe, citada acima. Eduardo já vem mostrando sinais de que algo está errado, indícios que podem estar relacionados a deslizes na liderança e/ou comunicação aplicada dentro da empresa.

Identifique algumas falhas:

  • Confusão entre “Ser claro” e “Ser entendido” – por mais que o chefe entenda que foi claro, a persistência no erro mostra o contrário, trazendo à tona o caso de informações ambíguas e falta de checagem;
  • Foco no problema e não na causa (Efeito Iceberg) – como já foi percebido, Eduardo nem sempre foi assim, o que traz fortes indícios à problemas emocionais, burnout, desmotivação e até medo;
  • Crítica em público (Exposição) – segundo especialistas da FIA Business School, um dos pilares da CNV é separar a observação do julgamento. O chefe, ao apontar o erro na frente de todos, cria um ambiente de constrangimento, ativando o sistema de defesa do colaborador, bloqueando o aprendizado e gerando ansiedade.

Entendeu como a comunicação pode ser um grande impasse dentro da sua empresa? E ainda mais impactante, a falta de assertividade e a não execução da Comunicação não violenta.

Comunicação não violenta (CNV)

A Comunicação Não Violenta é uma abordagem desenvolvida por Marshall Rosenberg, que é baseada na empatia, compaixão e escuta ativa para melhorar relações interpessoais e resolver conflitos.

Ela se resume em 4 pilares:

1 – Observação – descrever os fatos de forma objetiva, exatamente como aconteceram, sem julgamentos de valor ou críticas (Ex: Notei que o relatório que combinamos para terça, foi entregue hoje, quinta-feira.);

2 – Sentimento – identificar e nomear a emoção que a situação despertou, sabendo diferenciar o que sentimos e o que pensamos sobre o assunto (Ex: Estou sentindo que estamos desalinhados e isso me preocupa.);

3 – Necessidade – reconhecer uma necessidade e ligá-la ao sentimento identificado que não foi atendido naquela situação (Ex: A organização é primordial em nosso meio de trabalho.);

4- Pedido – dizer, de forma clara e específica, do que deseja para resolver aquela situação (Ex: Vamos combinar de você me perguntar sempre que tiver alguma dúvida?).

De acordo com um estudo realizado pela consultoria global Towers Watson, foi comprovado que empresas com comunicação altamente eficaz geram um retorno total aos acionistas 47% maior ao longo de cinco anos.

Logo, a não aplicação da CNV, segundo a SHRM ((Society for Human Resource Management), pode ocasionar em um rombo financeiro de, em média, U$ 420.000/ano para empresas pequenas e U$62,4 milhões para grandes corporações.

Além dos impactos financeiros, a Comunicação Não Violenta, quando não aplicada, também gera:

  • Comunicação unilateral;
  • Omissão de informações;
  • Baixa produtividade;
  • Pouco engajamento;
  • Falta de escuta ativa;
  • Postura passivo-agressiva;
  • Desalinhamento estratégico.

Conclusão: Habilidades geram valor (Power Skills)

Dados do Project Management Institute (PMI) reforçam que empresas que investem em “Power Skills” (como a CNV) desperdiçam 12 vezes menos recursos em projetos do que empresas que ignoram essas competências.

Na prática: o custo de treinar toda uma diretoria em CNV costuma ser menor do que a multa rescisória de um único gerente sênior que sai por problemas de relacionamento.

Ainda de acordo com o PMI, 92% dos líderes concordam que as Power Skills são cruciais para o sucesso dos projetos, mas apenas 25% dos gerentes de projeto recebem treinamento formal nessas áreas.

Além disso, gerentes que aplicam inteligência emocional e resolução de conflitos (técnicas centrais na CNV) conseguem manter a moral da equipe 40% mais alta durante crises do que aqueles que usam comando e controle.

E para ter essas estatísticas parte do seu resultado, treinar a equipe é a forma mais eficaz de reduzir prejuízos operacionais e custos por funcionário em perda de produtividade; não somente em Comunicação Não Violenta, como também em outros treinamentos que estão diretamente ligados a criar um elo entre a equipe e seu negócio.

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